sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Testando: 1, 2, 3: Fim do Mundo

Postado por Isabelle Tozzo Fernandes às 01:17


"Seria um dia comum. Eu estaria provavelmente ainda sentada no sofá da sala assistindo qualquer tipo de programa inútil enquanto grito minha mãe, uma e pouca da tarde eu acho. No meio de uma conversa atrapalhada, eis que me surge a ideia de ir dar uma volta. Pego meu casaco, está meio frio lá fora, o dia não é dos mais bonitos, aliás, há muitas nuvens e o céu parece sombrio demais tornando o dia meio bizarro. Não tenho uma ideia formada sobre como, é uma incógnita idiota inclusive, mas de repente o solo que se encontra debaixo de mim e de todas as pessoas a minha volta se locomove, mesmo que lentamente, causando pavor à todas as faces ali presentes.
Meus olhos estavam selados, meus sentidos voltaram e eu só conseguia sentir algumas partes do meu corpo. Meus lábios não se moviam, não havia jeito algum que eu poderia umedecê-los. Não havia muito ar, faltava-me fôlego. Ofegante, conseguia ainda sim sentir minhas pernas, e quando as movi, pude sentir que aquele lugar não era, digamos assim, o mais confortável do mundo. E que mundo. Aquele que acabou, se fui clara. Apesar de tudo, eu estava intacta, sentia alguns arranhões arderem lá e cá, mas estava sim, viva. Quando pude finalmente abrir meus olhos - com dificuldade -, pude sentir uma grossa camada de poeira que estava cobrindo não só meu rosto, como meu corpo inteiro. Minha pele era agora cinzenta, áspera. Eu podia sentir a poeira cair sobre meu rosto a cada segundo. Eu estava enfim, pude reconhecer, numa espécie de capsula de concreto. Havia escombros acima, abaixo, em toda parte, e era escuro. Fiquei literalmente, soterrada? Olhando um pouco, forçando a vista, eu podia ver um ponto fino de luz que saía entre uma brecha e outra de concreto lá no fim da capsula empoeirada em que eu me encontrava. Pensei comigo mesma que, minhas pernas ainda podiam se mover, e eu poderia tentar abrir mais este pequeno espaço no pseudo-teto que deixava aquela luz entrar. Pensei também, enquanto isso, que era bom ali não ter nenhum tipo de inseto. O mundo havia acabado e eu pensava em insetos. Haviam problemas piores e maiores a serem tratados. Comecei a empurrar os escombros, a frecha ia se abrindo cada vez mais, eu tinha medo. Finalmente o buraco já era grande o suficiente pra que eu pudesse passar por ele pelo menos meus braços e minha cabeça. Fiquei quase uns dois minutos parada. É claro que tempo não valia nada nessas circunstâncias, mas eu contei. De repente pude ouvir um barulho suave, mas não muito baixo, e nem muito alto. O pseudo-teto de concreto que se firmava sobre minha cabeça não era muito confiável, é claro, e tremia em sincronia com o barulho. Senti que era um caminhar. Me veio a cabeça a ideia de que eu obviamente não era a única a estar viva por ali. Foi bom, mas ruim ao mesmo tempo. O indivíduo que se encontrava lá fora gritou o nome de alguma outra pessoa, e eu tive pena, ao sentir que ele não encontraria. Pensei em me pronunciar, pôr de vez meu corpo dali pra fora, mas o medo me tomou conta, não queria. Não queria olhar e ver nada, onde já não havia nada; uma sociedade vazia, antes e depois. Afinal era isso, nada mudou: pessoas vazias antes, vagando sem rumo, e agora pessoas amedrontadas, vagando sem rumo. Qual era a diferença de qualquer maneira? Lembrei-me então de quando senti o chão tremer sob mim antes de entrar neste buraco quente, lembrei-me que pensei “não quero morrer”, e agora eu não sei se quero sair daqui e sobreviver. Estou morta. Ou quero ficar morta. O medo e o querer. Duas coisas que se confundem nesse final de tudo.
Voltei a me deitar no buraco quente, observei o pseudo-teto de concreto se esvair aos poucos. Não havia nada. "

Para entrar no climinha de fim do mundo, acei esse doloroso texto neste tumblr http://afreakbitchinyourtown.tumblr.com
Espero que não acabe assim né gente? que acabe com cheirinho de doce e muito glitter. Porém, não acredito que o mundo irá acabar, mas confesso que estou com medo rs

Beijos, e até o próximo post !

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